
Curitiba — InkDesign News — O artista plástico Daniel Freitas, aos 42 anos, apresenta suas xilogravuras no 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Curitiba. Suas obras, parte da série Cordel Urbano, abordam temas como transeuntes e povos originários nas metrópoles brasileiras, refletindo sua condição de baixa visão e a capacidade de ressignificação da arte.
Contexto e objetivos
O trabalho de Daniel Freitas se destaca por retratar a invisibilidade social e cultural de grupos marginalizados. Diagnosticado com baixa visão desde o nascimento, ele utiliza suas experiências pessoais para abordar questões de acessibilidade e aceitação no campo da arte. Seu objetivo é, portanto, sensibilizar público e profissionais da saúde sobre as potencialidades de artistas com deficiências visuais.
Metodologia e resultados
A prática artística de Daniel se baseia em técnicas de xilogravura que utilizam materiais recicláveis, como restos de cenários e MDF. Ele aplica lupas e óculos especiais, normalmente usados por ourives, para auxiliar nos detalhes de suas obras. “Uso para trabalhar pequenos detalhes da minha gravura. Sem eles, eu apenas trabalharia contato. Com esse auxílio óptico, consigo ter um resultado e também uma compreensão do que estou gravando ali de forma minuciosa”
(“I use them to work on small details of my engraving. Without them, I would only be working by touch. With this optical aid, I can achieve a result and also comprehend what I’m engraving in a meticulous way.”)— Daniel Freitas, Artista Plástico.
Implicações para a saúde pública
Freitas destaca a importância de médicos compreenderem a capacidade de pessoas com deficiência visual em realizar trabalhos artísticos. “Em um lugar repleto de médicos, que estão lidando sempre com diagnósticos muito fechados, muitas vezes, não se tem a compreensão da potência de uma pessoa com deficiência visual”
(“In a place full of doctors, who are always dealing with very closed diagnoses, there is often no understanding of the potential of a visually impaired person.”)— Daniel Freitas, Artista Plástico. A inclusão de artistas com deficiência na cena cultural pode oferecer novas perspectivas sobre a arte e estimular um diálogo sobre questões de acessibilidade e inclusão social. O trabalho de Freitas serve como exemplo para outros, mostrando que a arte pode ser uma poderosa ferramenta de expressão e autocompreensão.
Em suma, a trajetória artística de Daniel Freitas não apenas desafia limitações pessoais, mas também convida a uma reflexão mais profunda sobre o papel das pessoas com deficiência na sociedade e na arte. A expectativa é que essa abordagem ressignifique a maneira como diagnósticos e encaminhamentos para reabilitação são realizados, promovendo maior inclusão.
Fonte: (Agência Brasil – Saúde)