
São Paulo — InkDesign News — A intersecção entre tecnologia e cultura popular ganha novas camadas com a recente integração da conexão à internet via Starlink no icônico evento Burning Man, refletindo as tensões entre o espírito original do festival e a influência do Vale do Silício.
Contexto e lançamento
Burning Man, que ocorre anualmente no deserto de Nevada, EUA, é celebrado por sua filosofia de autoexpressão e comunidade. Nos últimos anos, essa essência tem sido desafiada pelo aumento da presença de tecnólogos e empresários de Silicon Valley. Segundo reportagens, como a publicada pelo Wall Street Journal, a chegada da internet por satélite de Elon Musk à festa representa uma transformação significativa da experiência feita para “desconectar” e “renovar”.
Design e especificações
Kevin LeVezu, um fotógrafo e frequentador regular de Burning Man, exemplifica essa mudança com seu acampamento, iForgot, que agora oferece conexão WiFi através de um terminal Starlink. Os participantes que desejam usar a internet precisam, porém, “oferecer um sacrifício”. Para ter acesso, as opções incluem tomar uma dose de whiskey ou receber uma palmada. Esta inovação tecnológica não apenas permite que os participantes se mantenham conectados, mas também transforma a experiência em um ritual de troca.
Repercussão e aplicações
Muitos frequentadores de Burning Man, que antes valorizavam a desconexão, agora encontram no WiFi uma nova forma de interação. Um dos frequentadores passou cinco horas utilizando a conexão para operar sua empresa remotamente. A coexistência da experiência de festival com a necessidade de estar online suscita reflexões sobre a verdadeira essência de elementos como inclusão e autossuficiência, que parecem estar se desgastando à medida que o evento se torna cada vez mais cooptado por interesses comerciais. O bilionário Elon Musk observou que Burning Man “é Silicon Valley”, e isso é corroborado pelas experiências de outros como Tyler Winklevoss, que afirmou ter tido “uma experiência espiritual” no evento.
A realidade é que a conexão que Burning Man tinha com princípios radicais de inclusão e autossuficiência começou a apodrecer quando a turma do Vale do Silício começou a aparecer
(“the reality is that whatever connection Burning Man once had to radical principles of inclusion, self-reliance, and self-expression began rotting away when the Silicon Valley ilk started showing up”)— Autor Desconhecido
À medida que a presença de tecnologia continua a moldar festivais e eventos culturais, a essência dos encontros como Burning Man enfrenta desafios. O ambiente que prega a diversidade, a criatividade e a desconexão agora se entrelaça com uma microeconomia que prioriza o acesso à internet.
As tendências mostram que as experiências imersivas estão mudando: de momentos de desconexão e introspecção para interações digitais intensificadas. O futuro dessas festividades pode depor um novo questionamento sobre o que realmente significa estar “conectado” em um espaço dedicado à liberdade e à expressão pessoal.
Fonte: (Gizmodo – Cultura Tech & Geek)