Machine learning transforma a criação musical e provoca debate

São Paulo — InkDesign News —
A inteligência artificial (AI) e o machine learning estão redefinindo o cenário musical, apresentando novas ferramentas para a criação de músicas. A experiência de Oliver McCann, um criador musical britânico que utiliza chatbots para compor, ilustra essa nova tendência nas indústrias criativas.
Contexto da pesquisa
No coração dessa revolução estão ferramentas de geração de músicas como o Suno e o Udio, que fazem uso de modelos de machine learning para produzir conteúdo musical. McCann, que não possui formação musical, utiliza esses avanços para criar canções em diferentes gêneros, desde indie-pop até country-rap.
Método proposto
McCann usa um chatbot para gerar letras e melodias, exemplificando o uso de LLMs (Modelos de Linguagem de Grande Escala) no processo criativo. “Eu não tenho talento musical nenhum” (“I have no musical talent at all”), confessou ele. O artista emprega até 100 variações para ajustar suas composições, evidenciando o potencial dessa tecnologia em auxiliar desde a escrita até a produção musical.
Resultados e impacto
Um levantamento da plataforma de streaming Deezer aponta que 18% das músicas enviadas diariamente são geradas por inteligência artificial, embora sua presença ainda seja marginal em termos de popularidade. Especialistas afirmam que a proporção de músicas geradas por AI deve aumentar com a familiarização de novas gerações com essas ferramentas. “É um boom total. É um tsunami” (“It’s a total boom. It’s a tsunami”), destacou Josh Antonuccio, diretor da Escola de Artes e Estudos de Mídia da Universidade de Ohio.
“O que costumava custar para fazer um sucesso está diminuindo constantemente, e agora é uma questão de um texto de prompt”
(“Just think about what it used to cost to make a hit or make something that breaks”)— Josh Antonuccio, Diretor, Universidade de Ohio
Com o aumento de músicas geradas por AI, surgem também preocupações sobre a exploração de obras para treinar algoritmos. Grandes gravadoras têm buscado formas de conciliar inovação com proteção de direitos autorais, enquanto uma série de artistas expressa preocupações sobre a desvalorização do esforço criativo humano. A indústria musical está, portanto, à beira de uma transformação significativa, à medida que artistas como McCann se aventuram e desafiam as normas estabelecidas.
As futuras aplicações incluem a expansão do uso de AI em diversos gêneros, permitindo que qualquer pessoa possa criar e compartilhar sua arte. “Estamos entrando em um mundo onde qualquer um, em qualquer lugar, pode fazer o próximo grande sucesso” (”I think we’re entering a world where anyone, anywhere could make the next big hit”) disse McCann.
Fonte: (TechXplore – Machine Learning & AI)