
Abuja, Nigéria — InkDesign News —
A crescente demanda por energia renovável na Nigéria, impulsionada pela crise na confiabilidade da rede elétrica e o aumento dos custos de combustíveis fósseis, tem fomentado avanços em soluções solares, com impacto direto na sustentabilidade e economia energética do país.
Tecnologia renovável
A startup Arnergy destaca-se no mercado nigeriano ao oferecer sistemas solares para residências e negócios, atendendo setores da hospitalidade, educação, agricultura e saúde. Fundada em 2013, a empresa já instalou mais de 1.800 sistemas em 35 estados, totalizando 9MWp de capacidade solar e 23MWh em armazenamento de bateria.
Recentemente, a Arnergy captou US$ 15 milhões em rodada Série B estendida, totalizando US$ 18 milhões na fase, apoiada por investidores como Breakthrough Energy Ventures, do bilionário Bill Gates, e outras entidades internacionais, reforçando o compromisso com energias limpas no país.
“Quando começamos o negócio, posicionávamos a energia solar como uma forma de ter energia ininterrupta, não necessariamente para economizar dinheiro. Isso não era uma questão comercial.”
(“When we started the business, we used to position solar as a way to get uninterrupted power, not necessarily to save money. It wasn’t part of a commercial conversation.”)— Femi Adeyemo, CEO, Arnergy
Redução de CO₂
O fim do subsídio ao combustível, em maio de 2023, elevou os preços da gasolina em cerca de 500%, tornando os geradores a diesel e gasolina mais caros e com maiores impactos ambientais que os sistemas solares. Essa mudança econômica tornou a energia solar um caminho mais viável para a redução das emissões associadas ao uso de combustíveis fósseis, contribuindo para metas de carbono-zero.
“Imagine pagar ₦200.000 (~US$ 125) todo mês pela energia. Com nosso produto, isso cai para ₦96.000 (~US$ 60). Em cinco anos, é óbvio o quanto você economiza.”
(“Imagine paying ₦200,000 (~$125) every month for power. With our product, that drops to ₦96,000 (~$60). Over five years, it’s a no-brainer what you’ll save.”)— Femi Adeyemo, CEO, Arnergy
Casos de uso
O modelo lease-to-own tem sido fundamental para a expansão do acesso à energia solar na Nigéria, com clientes pagando mensalidades fixas por 5 a 10 anos até adquirirem o sistema. Essa modalidade ganhou espaço frente ao aumento das tarifas de energia elétrica e dos combustíveis fósseis, com a Arnergy triplicando sua base de clientes de leasing entre 2023 e 2024.
A empresa projeta instalar mais de 12.000 novos sistemas até 2029, e para tal, mudou sua estratégia para um modelo de parcerias com negócios e pontos de venda locais fora de Lagos, ampliando o alcance do serviço em um mercado crítico para a sustentabilidade energética do país.
Entretanto, um novo desafio surge com a proposta do governo nigeriano de banir a importação de painéis solares para incentivar a indústria nacional. A medida enfrenta resistência por conta da atual capacidade insuficiente das fábricas locais.
“Somos defensores da manufatura local. Mas vamos construir a capacidade antes de fechar a porta para as importações. Caso contrário, corremos o risco de causar mais danos que benefícios tanto para a indústria quanto para os milhões de nigerianos que dependem da energia solar.”
(“We’re advocates for local manufacturing. But let’s build capacity before shutting the door on imports. Otherwise, we risk doing more harm than good, both to the industry and to the millions of Nigerians who now rely on solar as their primary energy source.”)— Femi Adeyemo, CEO, Arnergy
O futuro da energia renovável na Nigéria depende, portanto, de políticas que equilibrem o estímulo à produção local e a ampliação do acesso imediato a sistemas solares, essenciais para a redução das emissões e a sustentabilidade econômica de milhões de cidadãos.
Fonte: (TechCrunch – Climate / GreenTech)