Paleontologia descobre primeiro caranguejo-ferradura do Siluriano

Contexto da descoberta
Os caranguejos-ferradura, pertencentes à ordem Xiphosura, são conhecidos como “fósseis vivos”, devido ao seu longo desenvolvimento evolucionário. A nova espécie foi encontrada em uma amostra do período Siluriano, datando de aproximadamente 424 milhões de anos, em Indiana.
Os caranguejos-ferradura atuais são distribuídos geograficamente em habitats do Atlântico Ocidental e dos oceanos Pacífico Ocidental e Índico. “Quatro espécies viventes são conhecidas e exibem uma distribuição geográfica disjunta,” comentou Dr. James Lamsdell, paleontólogo responsável pela pesquisa.
Métodos e resultados
A pesquisa de Ciurcalimulus discobolus foi baseada em uma única amostra coletada em 1975, reconhecida por sua preservação semelhante à dos eurípteros encontrados na mesma localidade. “A localidade de Kokomo é famosa por sua fauna endêmica, representando um evento de extinção em massa,” observa Lamsdell.
O método de análise envolveu a observação da morfologia do espécime, destacando características únicas e sua semelhança com espécies do Ordoviciano. “Ciurcalimulus exibe um prosoma carapaça arredondada e um thoracetron semicircular, diferenciando-se por não possuir nós axiais,” explicou Lamsdell.
Implicações e próximos passos
A descoberta deste novo gênero de caranguejo-ferradura sugere que características morfológicas dos ancestrais persistiram após a extinção em massa do final do Ordoviciano. Isso implica que a evolução dos Xiphosurida pode ter sido menos impactada por eventos cataclísmicos do que se pensava. “A idade Siluriana de Ciurcalimulus mostra que a morfologia observada entre as espécies do Ordoviciano se manteve,” afirmou o pesquisador.
No futuro, uma investigação mais profunda sobre as origens e evolução dos caranguejos-ferradura pode revelar informações adicionais, especialmente sobre como as mudanças ecológicas influenciaram sua evolução. A pesquisa se destaca pela relevância em iluminar a linha do tempo evolutiva desses organismos e pela contribuição ao conhecimento paleontológico, que é frequentemente centrado em locais da Europa e antigos colônias europeias.
Esta descoberta não só enriquece o entendimento sobre a biodiversidade passada, mas também abre novos horizontes para futuras linhas de pesquisa nessa área crítica da biologia evolutiva.
Fonte: (sci.news– Ciência & Descobertas)