
São Paulo — InkDesign News — Astrônomos do telescópio James Webb (Nasa/ESA/CSA) fizeram uma descoberta significativa ao estudarem a matéria-prima de planetas rochosos no núcleo da Nebulosa Borboleta, uma nebulosa planetária bipolar com uma estrutura complexa.
Contexto da descoberta
A Nebulosa Borboleta (NGC 6302) está localizada a cerca de 2.417 anos-luz da Terra, na constelação de Escorpião. Este objeto astronômico apresenta uma morfologia bipolar extrema, com um formato que se estende por mais de duas luzes, o que equivale a aproximadamente metade da distância entre o Sol e Proxima Centauri.
Métodos e resultados
Utilizando o instrumento Mid-InfraRed (MIRI) do Webb, os cientistas obtiveram uma visão sem precedentes da Nebulosa, identificando cerca de 200 linhas espectrais que fornecem informações sobre os átomos e moléculas presentes. Dentre essas, foram detectadas estruturas interconectadas de diferentes espécies químicas.
“Essas nebulosas são algumas das criaturas mais belas e elusivas no zoológico cósmico.”
(“Planetary nebulae are among the most beautiful and most elusive creatures in the cosmic zoo.”)— Mikako Matsuura, Astrônomo, Cardiff University
A equipe também localizou a estrela central da nebulosa, que atinge uma temperatura de 220.000 Kelvin, uma das mais altas conhecidas em nebulosas planetárias na nossa galáxia. O calor dessa estrela energiza nuvens de poeira ao seu redor, fazendo-as brilhar em comprimentos de onda mid-infravermelhos. Além disso, foram identificados grãos de poeira com tamanhos da ordem de um milionésimo de metro, indicando uma formação prolongada.
Implicações e próximos passos
A detecção de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) sugere uma nova perspectiva sobre a formação desses compostos em nebulosas ricas em oxigênio. Os astrônomos especulam que essas moléculas possam se formar quando um “burburinho” do vento da estrela central interage com os gases ao redor.
“Essa pode ser a primeira evidência de PAHs se formando em uma nebulosa planetária rica em oxigênio.”
(“This may be the first-ever evidence of PAHs forming in an oxygen-rich planetary nebula.”)— Mikako Matsuura, Astrônomo, Cardiff University
Esta pesquisa abre caminhos para compreender melhor a evolução química das nebulosas e a formação de planetas. Futuros estudos poderão aprofundar a relação entre as estruturas observadas e a dinâmica das estrelas que as geram.
Essas descobertas têm o potencial de moldar nossa compreensão não apenas da Nebulosa Borboleta, mas também de outros ambientes astrofísicos onde a matéria se aglutina para formar planetas rochosos.
Fonte: (sci.news– Ciência & Descobertas)