
Washington — InkDesign News —
O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, avaliou na terça-feira (6) que os Estados Unidos e a China alcançarão um acordo para encerrar a guerra comercial, cenário que poderá afetar o agronegócio brasileiro, atualmente beneficiado pelo aumento da demanda chinesa em meio à disputa tarifária.
Panorama econômico
A guerra comercial entre as duas maiores economias globais tem provocado reajustes significativos na dinâmica dos mercados internacionais, sobretudo no setor agropecuário. No contexto atual, a China ampliou suas importações de produtos agrícolas brasileiros, impulsionada pelas tarifas impostas aos concorrentes estadunidenses. Contudo, esse quadro pode mudar com a possível acomodação entre EUA e China, conforme analistas indicam que “Na minha visão, vai haver acomodação. Geralmente aparece alguém para fazer acordo, e assim vai ser o acordo entre os Estados Unidos e a China” (“In my view, there will be an accommodation. Usually someone steps in to make a deal, and it will be so in the deal between the United States and China”), afirmou João Martins durante evento em São Paulo.
Indicadores e análises
Embora o Brasil esteja ganhando mercado na China, o cenário permanece incerto. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, manifestou preocupações quanto a um possível prejuízo para o país caso a confiança entre os dois concorrentes globais se restabeleça, afetando as exportações brasileiras. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, ressaltou a estratégia chinesa de estocagem de produtos agrícolas, que extrapola as compras exclusivamente do Brasil.
“A exportação de carnes e soja (do Brasil) está com números muito significativos”
(“The export of meat and soy (from Brazil) is showing very significant numbers”)— Tereza Cristina, senadora e ex-ministra da Agricultura
Adicionalmente, João Martins alertou para as dificuldades financeiras enfrentadas por produtores de médio e pequeno porte diante do aumento dos custos de empréstimos e restrições orçamentárias do governo, especialmente para programas como o subsídio ao prêmio do seguro rural.
“Vamos ter problema muito sério do médio produtor para baixo, o grande produtor já entendeu que precisa autossuficiente”
(“We will have a very serious problem for the medium producer and below, the large producer has already understood they need to be self-sufficient”)— João Martins, presidente da CNA
Impactos e previsões
O possível acordo entre EUA e China traz à tona múltiplos desdobramentos para o agronegócio brasileiro, que hoje se beneficia da guerra comercial, ao passo que o fortalecimento da parceria entre essas duas nações pode resultar em maior concorrência. O atual momento, marcado por incertezas fiscais e econômicas, também influencia as negociações do Plano Safra 2025/26, que busca equilibrar apoio a produtores frente a limitações financeiras do governo.
Especialistas recomendam cautela, visto que um cenário de reacomodação comercial poderá demandar adaptações estratégicas por parte do setor agrícola brasileiro para manter sua competitividade nos mercados internacionais.
Fonte: (CNN Brasil – Economia)