Brasil amplia exportação de carne bovina ao mercado dos EUA apesar de tarifas

São Paulo — InkDesign News — Exportadores brasileiros de carne bovina venderam cerca de 48.000 toneladas para os Estados Unidos em março, apesar da imposição de uma nova tarifa de 10% pelo governo americano, indicou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
Panorama econômico
No cenário global, a demanda por carne bovina tem sido afetada por diversas dinâmicas, incluindo a escassez estrutural de gado nos Estados Unidos, que estimula a importação de fornecedores como o Brasil e a Austrália. As relações comerciais entre Brasil e EUA passaram por ajustes tarifários recentes, com a aplicação de uma tarifa adicional de 10% sobre a carne bovina brasileira, tanto para vendas dentro quanto fora da cota anual pré-determinada de 65.000 toneladas. Além disso, o Brasil enfrenta desafios e oportunidades frente à China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, que aumentou suas importações em 12% no acumulado do ano.
Indicadores e análises
Segundo Roberto Perosa, o volume exportado para os EUA em março — cerca de 48.000 toneladas — representou “uma grande surpresa” considerando que, no mesmo mês do ano passado, foram exportadas apenas 8.000 toneladas para este mercado. Para vendas além da cota anual, a alíquota passou de 26,4% para 36,4%, enquanto para vendas dentro da cota a tarifa subiu de zero para 10%. Perosa menciona dados da consultoria Datagro que indicam a possibilidade do Brasil se tornar o maior produtor mundial de carne bovina em 2026, ultrapassando os Estados Unidos, que enfrentam dificuldades para ampliar seus rebanhos.
“Uma grande surpresa”
(“a big surprise”)— Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec)
Impactos e previsões
A escassez de gado nos EUA e as tarifas adotadas representam desafios e oportunidades para a indústria brasileira de carne bovina, que já figura como maior exportadora mundial do produto. A visita que os frigoríficos brasileiros farão à China acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo cidades do interior nunca visitadas antes para promoção da carne bovina, é uma estratégia para ampliar ainda mais a participação nesse mercado. Sobre o ambiente regulatório, Perosa observa que, embora não se espere a emissão imediata de novas autorizações para exportação para a China, isto pode ocorrer no próximo ano, após a conclusão da investigação de salvaguardas conduzida por Pequim.
“É possível que novos fornecedores sejam liberados no próximo ano, quando Pequim tiver encerrado sua investigação de salvaguardas com foco nas importações totais de carne bovina.”
(“It is possible that new suppliers will be released next year, when Beijing has concluded its safeguard investigation focusing on total beef imports.”)— Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec)
Esses movimentos indicam uma reconfiguração do mercado global de carne bovina, demandando atenção às mudanças tarifárias, logísticas e regulatórias para que o Brasil mantenha sua posição de destaque e aproveite o potencial de crescimento projetado para os próximos anos.
Fonte: (CNN Brasil – Economia)