
Brasília — InkDesign News — O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (14) que manterá sua candidatura nas eleições de 2026 até “o último segundo”, apesar da inelegibilidade de oito anos estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023.
Contexto político
A inelegibilidade de Bolsonaro decorre de duas decisões do TSE. A primeira, em 2023, considerou que ele cometeu abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação ao realizar uma reunião com embaixadores em julho de 2022, além de ataques infundados ao sistema eleitoral brasileiro. Posteriormente, Bolsonaro foi condenado novamente por abuso de poder político e econômico durante as manifestações do feriado de 7 de setembro de 2022, em meio à campanha eleitoral. Essas condenações resultaram em sua inelegibilidade pelo prazo de oito anos.
No cenário para 2026, Bolsonaro destacou a importância da união da direita, citando inclusive o ex-presidente Michel Temer como liderança para essa articulação, e pediu que governadores da direita questionem sua inelegibilidade. Ele também manifestou dúvidas sobre a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que publicamente tem afirmado ser candidato à reeleição.
Reações e debates
“Eu vou até o último segundo. Eu gostaria até que os governadores, até o Michel Temer entrou nessa questão de unir a direita, é um direito do Michel Temer, ninguém que entrou na política um dia esquece. Eu gostaria que os governadores falassem: ‘O Bolsonaro está inelegível por quê?’. Se eu for condenado, acabou. Até pela minha idade, acabou. Espero que não aconteça”
— Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
Bolsonaro também comentou a possibilidade de ser condenado na ação penal relacionada à sua suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado, atualmente como réu, e destacou a necessidade de esperar uma condenação definitiva antes de alterar sua estratégia política.
“O que eu vejo são possíveis outros candidatos numa linha que, são direitos deles, agora temos a liderança do Michel Temer, que trata de unir a direita, sem o Bolsonaro e sem os radicais. Agora, o que o Tarcísio tem dito publicamente: ‘Sou candidato à reeleição. Tenho uma dívida de gratidão com o Bolsonaro’. Eu também tenho uma dívida com o Tarcísio. Ele foi excepcional ministro. Ele não tem essa experiência política, porque muitas vezes você tem que aprender a engolir sapo pela fosseta lacrimal”
— Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
Desdobramentos e desafios
O pronunciamento de Bolsonaro ocorre em meio a um ambiente político desafiador para a direita no Brasil, com apostas em lideranças como Michel Temer para tentar consolidar uma frente unificada. Entretanto, a inelegibilidade imposta pelo TSE pode redefinir a estratégia eleitoral de Bolsonaro e seus apoiadores, especialmente com possibilidade de novas acusações judiciais em discussão. A continuidade da candidatura, mesmo com impedimentos legais, impõe debates sobre a legislação eleitoral, a judicialização da política e o papel das articulações partidárias para 2026.
As interrogações sobre a candidatura de Tarcísio de Freitas e o posicionamento dos demais líderes da direita também adicionam complexidade ao cenário, que será monitorado tanto pelo eleitorado quanto pelas instâncias judiciais e legislativas no ciclo eleitoral futuro.
Fonte: (CNN Brasil – Política)